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04 / 2017
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Em 2014, Temer assumiu pedidos de arrecadação de modo "relevante", diz delator

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qui, 13/04/2017 - 18:37

Atualizado em 13/04/2017 - 18:41

Jornal GGN - Comandando o PMDB na Câmara dos Deputados, Michel Temer não tinha o hábito de pedir propinas e caixa dois diretamente a executivos, papel que era dos atuais ministros do governo Eliseu Padilha e Moreira Franco. Mas no ano de 2014, quando concorria a vice da presidente Dilma Rousseff pela segunda vez, Temer assumiu os pedidos de contribuições financeiras para o partido "de maneira relevante".

A afirmação é do executivo da Odebrecht, Claudio Melo Filho, em delação à equipe de procuradores da República da Operação Lava Jato. "O núcleo político organizado do PMDB na Câmara dos Deputados é historicamente liderado por Michel Temer, atual presidente da República. À semelhança do que ocorre no Senado, esse grupo capitaneado por três nomes: Michel Temer, Eliseu Padilha e Moreira Franco", disse em trecho do depoimento.

A lógica foi usada por Cláudio Melo Filho para explicar aos investigadores que os valores e porcentagens de repasses da Odebrecht no acerto de contratos junto à Petrobras em benefício dos deputados da sigla eram feitos com Padilha e Moreira Franco.

No Senado, explicou o delator, os recursos eram negociados junto a, sobretudo, Romero Jucá, um dos braços direitos de Michel Temer no governo e apontado inclusive pelo ex-executivo como o "'homem de frente' nas tratativas diretas com agentes particulares'", afirmou. "Um exemplo disso é encontrado no fato de que o gabinete do Senador sempre foi concorrido e frequentado por agentes privados interessados na sua atuação estratégica", completou.

Em casos pessoais, citou Cláudio Melo Filho, Jucá foi o principal articulador pela arredação de recursos pelo PMDB no Senado. Era ele o responsável, também, pelas parcelas angariadas às campanhas de Renan Calheiros e Eunício Oliveira, atual líder do governo no Senado e presidente da Casa, respectivamente.

Já Temer, disse o ex-diretor, "atua de forma muito mais indireta". Em seu nome, atuava Padilha e Moreira Franco.

"Pelo que pude perceber ao longo dos anos, a pessoa mais destacada desse grupo [político do PMDB na Câmara] para falar com agentes privados e centralizar as arrecadações financeiras é Eliseu Padilha. Ele atua como verdadeiro preposto de Michel Temer e deixa claro que muitas vezes fala em seu nome. Eliseu Padilha concentra as arrecadações financeiras desse núcleo político do PMDB para posteriores repasses internos", descreveu.

Segundo ele, Moreira Franco atuava também nas arrecadações, apesar de "em menor escala".

"Michel Temer atua de forma muito mais indireta, não sendo seu papel, em regra, pedir contribuições financeiras para o partido, embora isso tenha ocorrido de maneira relevante no ano de 2014, conforme detalharei adiante", narrou.

Leia trechos do acordo de delação do executivo:

Original do Jornal GGN

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