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04 / 2017
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Ciclistas e máscaras de poluição: quando e por que usá-las

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O engenheiro Gabriel Figueiredo resolveu usar a máscara de poluição após sentir dores de cabeça e sintomas de rinite

Quem se exercita ao ar livre em cidades de má qualidade do ar, como São Paulo, precisa ficar atento aos sinais do corpo e saber as vantagens e desvantagens do equipamento

Um dos focos da gestão do prefeito Fernando Haddad (PT) em São Paulo tem sido estimular o uso de meios alternativos de transporte, como a bicicleta. Seguindo modelos de cidades como Berlim, Amsterdã, Londres e muitas outras, o objetivo é que a capital paulista some 400 km de ciclovias até 2016. O ciclismo estimula a mobilidade ativa, mas pedalar nas vias movimentadas pode acentuar alguns riscos à saúde e gerar desconfortos devido à poluição do ar. Gabriel Mazzola Poli de Figueiredo, engenheiro, descobriu na prática que sentia a necessidade de usar máscara para se proteger dos efeitos do ar da capital enquanto andava de bicicleta. O uso de equipamento ainda não é muito difundido no Brasil, como acontece em cidades na Europa e na Ásia, mas a medida traz benefícios para quem se exercita ao ar livre.

“Comecei a pedalar todos os dias, como meio de locomoção, no começo de 2015. Na época, a ciclovia da Avenida Paulista ainda não estava pronta, então andava no corredor de ônibus respirando a fumaça dos veículos”, disse Figueiredo. O engenheiro começou a sentir dores de cabeça e sintomas de rinite após percorrer grandes distâncias sob essas condições, e encomendou sua primeira máscara pela internet em junho. Segundo o pneumologista do Instituto do Coração (Incor), Ubiratan de Paula Santos, ciclistas, ou qualquer um que faça exercícios físicos em locais de intenso tráfego de veículos, estão mais expostos à poluição pois a quantidade de ar inalada é maior, já que a frequência cardíaca aumenta para contrair os músculos necessários para realizar a atividade.

Antes de fazer sua compra, Figueiredo pesquisou diferentes modelos e optou por uma máscara que filtrasse tanto material particulado como gases. Para Santos, é importante escolher o equipamento conforme o ambiente onde ele será usado. Em São Paulo, a maior parte da poluição é de origem veicular e industrial, portanto uma máscara retentora de material particulado é a opção mais simples e eficaz. “É preciso ficar atento às fibras destes tipos de máscara e ao certificado de partículas finas. Os filtros mecânicos P2 e P3 são mais apropriados para a poeira fina”, disse o médico. As classificações são em função da capacidade de filtração do material – P1, P2 e P3, sendo P1 capaz de reter apenas partículas sólidas ou líquidas geradas de soluções ou suspensões aquosas, e não recomendado para o material particulado.

Para filtrar gases como ozônio, dióxido de carbono, monóxido de carbono, entre outros, deve-se investir em máscaras que usam carvão. Maior e mais incômodo, o modelo também é mais caro. “Paguei cerca de US$40 pela minha máscara, além de $15 por um pacote de três filtros”, afirma o ciclista, que combinou as duas funções no equipamento não encontrado em versão nacional. Quanto aos filtros, eles devem ser trocados conforme a frequência em que forem usados. O pneumologista do Incor recomenda substitui-los a cada dez dias, aproximadamente, para quem pedala diariamente no deslocamento ao trabalho e na volta para casa.  “A concentração de poluentes em São Paulo está acima das indicações da Organização Mundial da Saúde (OMS), mas não recomendo o uso de máscaras para todos. O benefício para a quantidade de ar inalada por um pedestre ainda não é bem estabelecido, além de o preço não ser acessível para todos”.

Para Figueiredo, que pratica atividade física, o uso diário da máscara fez diferença – a dor de cabeça e os sintomas de rinite passaram. No entanto, é preciso se adaptar pois é o uso do equipamento requer mais esforço para respirar. Ao mesmo tempo, o fôlego e o rendimento do ciclista melhoraram após a dificuldade inicial. “Meu grande medo era de assustar as pessoas na rua com a máscara escondendo meu rosto, mas elas mostravam muito interesse e curiosidade em saber do que se tratava”.

Saúde X Poluição
Apesar das vantagens de máscaras que protegem contra a poluição, quem não tem condições de comprá-las ou sente incômodo ao usá-las não deve considerar os fatores como impedimento para se exercitar. Segundo o pneumologista, mais importante do que se munir contra a poluição é praticar exercício físico pelo menos três vezes por semana, tornando-o “crônico”. Os efeitos da má qualidade de ar são mais graves por quem faz exercícios esporadicamente, ou apenas aos finais de semana, pois não há o benefício das atividades recorrentes para compensar os prejuízos de inalar o ar poluído. Para os ciclistas de rotina e para os corredores, as vantagens de incluir frequentemente atividades físicas na agenda são maiores do que as desvantagens de fazê-las em uma atmosfera poluída. Além disso, sabe-se que academias nem sempre são acessíveis e que alinhar o deslocamento com o exercício é uma solução viável para quem tem a rotina corrida. O médico, no entanto, tem orientações para quem se exercita ao ar livre em grandes cidades:

  1. Evite corredores de grande tráfego, ou se distancie deles em, no mínimo, 100 metros.
  2. Procure fazer o exercício em horários com menor tráfego de veículos.
  3. Lembre-se de se hidratar. A perda de água resseca as vias aéreas, comprometendo a filtragem de poluentes, especialmente em temperaturas acima de 25° C.
  4. Indivíduos com doenças crônicas que vão começar a se exercitar devem procurar um médico para orientá-los e, possivelmente, fazer ajustes nas medicações.

Evangelina Vormittag, diretora do Instituto Saúde e Sustentabilidade, alerta para os efeitos da poluição do ar para saúde. “O ar tóxico é líder ambiental em mortes e cidades dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro possuem níveis de poluição relativamente altos. O ideal seria termos políticas públicas que corroborassem para o ar mais saudável e que as pessoas pudessem fazer seus exercícios livremente no espaço urbano onde elas vivem.”

Por Mariana Grazini pelo Instituto Saúde e Sustentabilidade

Ong Saúde e Sustentabilidade

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