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11 / 2017
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10 razões para afirmar que 2015 foi um ano incrível em São Paulo

Saúde

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Mutirão do Acupuntura Urbana no Glicério. Imagem: Acervo Acupuntura Urbana

Nunca houve tanta ocupação do espaço público paulistano por movimentos, coletivos e projetos como em 2015. Em todas as regiões da cidade, da periferia ao centro, vimos uma verdadeira “invasão cidadã” (sim, porque ela melhora os espaços) nas ruas, praças e até nas vagas antes reservadas aos carros, tornando a cidade melhor e reforçando as diversas redes colaborativas que vêm transformando a cara de São Paulo. São revitalizações de espaços abandonados, intervenções artísticas e educativas, mobiliários urbanos temporários e permanentes, food-trucks, food-bikes, shows abertos, gente na rua. A cidade percebida como um espaço comum, não apenas um lugar de passagem.

4. Ciclovias e redução de velocidade

Ciclista na Av. da Liberdade. Foto: Willian Cruz / Vá de Bike

Você acha que a implementação de ciclovias por toda a cidade foi feita apenas para atender demandas dos ciclistas? Errado. Elas também tornam as ruas mais seguras, silenciosas e convidativas, com diversas externalidades positivas, inclusive no comércio local. O mesmo vale para as reduções de velocidade nas principais vias da cidade, algo que as estatísticas sobre acidentes já começam a apontar como uma medida mais do que necessária (e atrasada). Houve falhas no processo? Ok. A Prefeitura é ruim em se comunicar? Ok. Mas não há mais como negar que a combinação de bikes e menos velocidade nas vias, combinadas a uma série de outras ações, deixaram o trânsito melhor e mais seguro em São Paulo. E que os paulistanos começam a descobrir, finalmente, que deixar o carro em casa em determinadas situações pode ser uma bela e saudável experiência.

5. Alimentos orgânicos bombando

Produção orgânica em Parelheiros. Foto: Blog Horta Orgânica em Casa

Você já deve ter percebido que os alimentos orgânicos estão mais baratos e acessíveis. Isso não aconteceu por acaso. Houve uma proliferação das feiras e pontos de venda de orgânicos na cidade, impulsionados por uma maior demanda (as pessoas estão mais conscientes de sua alimentação) e pelo estímulo à produção familiar, que vem transformando o cenário da agricultura no Extremo Sul da cidade. Além, é claro, da tendência agora “cool” de cultivar diferentes tipos de hortaliças e frutas, em casa ou em hortas comunitárias nos espaços públicos, utilizando a compostagem (uma utilização quase “óbvia” para nossos resíduos orgânicos) de maneira efetiva. Quem planta, seus males espanta.

6. A cor do graffiti

O.bra Festival 2015. Foto: Brunella Nunes / Hypeness

Há poucos anos, quem passava pelas avenidas 23 de maio, Cruzeiro do Sul, pelo Minhocão, notava apenas “outdoors” e placas e mais placas de anúncios publicitários. Em 2007, veio a lei Cidade Limpa (que certamente constaria na lista Top 10 daquele ano) e começamos a enxergar um mar de empenas e muros opacos, reforçando a aridez do concreto e do cinza paulistano. O que vemos agora – e 2015 foi um marco nesse movimento, com o maior número de projetos e obras realizadas – é a transformação da cidade incolor em cidade colorida, ocupada pelo graffiti e seus artistas. O chamado “graffiti art” transformou São Paulo, embelezando suas empenas, muros e paredes, em todos os bairros. E colocou a cidade entre as principais do mundo quando o assunto é arte urbana. Não notou? Olhe para cima.

7. Água e consciência

Manifestação sobre a crise hídrica. Foto: Estadão

 Muita gente vai discordar, alegando que bastou chover nessas últimas semanas e muita gente já relaxou na consciência de que a água é um recurso finito, que deve ser usado com cuidado. Não é bem assim: apesar do relaxamento em novembro e possivelmente em dezembro, o consumo de água por habitante consolidou o ano num patamar bem abaixo do registrado na época das vacas gordas, ou melhor, das represas cheias. Ainda estamos no cheque especial, muita coisa há de ser feita e a confiança nos gestores anda baixa, mas não há como negar que 2015 foi o ano em que a relação da população paulistana com a água definitivamente mudou. Conseguimos entender que usar a água de maneira irresponsável pode resultar na sua falta, é o ensinamento que a crise hídrica nos deixou. Infelizmente, não pelo amor, mas pela dor.

8. Novas ‘viradas’ pela cidade

Virada da Saúde. Foto: Secom / PMSP

A cidade que criou a Virada Cultural é um verdadeiro berço de novas “viradas”, caracterizadas pela coparticipação, gratuidade e diversidade de público e atrações. Não vou falar aqui – seria um arranhão ético imperdoável – da Virada Sustentável, que coordeno, ou da Virada Esportiva, já consolidada no calendário paulistano, mas de outras lindas viradas que surgiram em 2015: a Virada da Saúde, que agrupa projetos e pessoas com o objetivo de promover a saúde e o bem estar na cidade; a Virada Educação, já em sua segunda edição, trazendo às escolas o conceito de integralidade na prática; a recente Virada Ocupação, com shows de grandes nomes da música abrindo mão de seus cachês para apoiar as escolas ocupadas; e a própria Virada Cultural, mais descentralizada em 2015 e sem dúvida a melhor dos últimos anos. Só não vale “Virada Imobiliária”, uma ideia absurda de uma construtora que não tem nada a ver com essa tecnologia social genuinamente paulistana.

 9. Minhocão com fim de semana

Minhocão. Foto: Felipe Morozini

A notícia veio no começo de julho e pegou muita gente de surpresa: o Elevado Costa e Silva, popularmente conhecido como Minhocão, seria fechado também aos sábados para os carros, criando na prática uma área de lazer de fim de semana para o entorno de uma região que até hoje guarda cicatrizes expostas por tamanha intervenção urbana. Próximo da efervescência dos movimentos culturais e dos coletivos, o Minhocão foi logo ocupado com atividades e atrações (como um grupo de teatro que se apresenta nas janelas de um edifício para o público sentado na via, tamanha a proximidade) e é hoje um dos pontos mais modernex da cidade. Sem falar das incríveis empenas ocupadas pelo grafitti e paredes verdes. Os grupos que atuam na defesa do “Parque Minhocão” agora aguardam a possibilidade de um fechamento definitivo, criando um parque suspenso nos moldes do High Line Park de Nova Iorque.

 10. Tecnologia para o cidadão

Aplicativo SP Sem Carro. Imagem: reprodução / Facebook

É claro que, nesse quesito, 2015 foi melhor do que 2014 e provavelmente será pior do que 2016, e assim sucessivamente, pelo simples fato de que cada vez mais usamos a tecnologia em nosso favor, especialmente nos aplicativos que levamos em celulares e outros portáteis. Agora começamos a usá-los também em favor das cidades. E 2015 trouxe novidades interessantes na área: aplicativos que orientam o cidadão a escolher o modal mais adequado de transporte para se deslocar sem carro em São Paulo, que indicam onde está faltando água ou que reconhecem e indicam as árvores frutíferas na cidade; plataformas de economia compartilhada que promovem trocas de produtos e serviços; ferramentas de pressão popular sobre os gestores públicos; mapas oficiais com informações em camadas permitindo maior transparência e controle social, entre tantas outras. O futuro chegou.

E você, o que acrescentaria nessa lista?
FONTE: André Palhano, jornalista e fundador da Virada Sustentável. Artigo publicado em seu blog no Estadão.

 

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